Um cinzelador
Há, gentil criatura, um poeta que cinzela
A frase como um velho ourives florentino,
Que torce o oiro, e mistura a prata, e que martela
De um golpe, o vaso iriante, adamascado e fino.
Eu queria-lhe o gênio; amara-lhe o destino;
Lavrara com carícia a estrofe, e punha nela
Asas, sóis, muito aroma, o alarido de um hino,
E o azul… todo esse azul que o infinito apainela.
Para o rico ideal tenho a matéria-prima:
Obedece-me a luz, domestiquei a rima,
Guardo a música presa aos metros rugidores.
Neste trabalho a mão pode bem ser que trema…
Mas se tu queres, se desejas um diadema,
Vais ter em mim já um desses cinzeladores.