● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

pelos grandes bulevares

[do lado de dentro]

o que ela vê quando fecha

os olhos? linhas sinuosas, um mapa

feito à mão, parece uma pista vista de cima —

os campos cortados ou poderia ser

uma sombra riscando o verde quando passa

lá no alto.

o que ela vê quando

olha em linha reta tentando

descrever

a garota que conheceu no café?

a transformada de

wavelets ou um peixe-lua-

circular em uma região abissal.

não é nada abissal

estar nesta superfície,

você quis dizer de vidro? esférico?

ou um animal marinho em miniatura:

um polvo de 1mm?

o cinema é 24 vezes

a verdade por segundo. este segundo

poderia ser 24 vezes a cara dela

quando fecha os olhos e vê.

[de fora]

não é por falta de repetição, mas não

encontrava a palavra exata.

o que ela vê não sabe e tudo fica tremido

se fast forward.

agora fecha os olhos para

entender, para ir mais

devagar.

não se perde alguém por duas

vezes, era o que achava

mas a essa altura chego no mesmo terminal

duas semanas depois e a cena se

repete.

— você está tendo um problema

de realidade, ele cochichou.

— qual é o desastre desta vez?

o que ela vê ao abrir a

claraboia? ao bater aquela foto da

ponte ou quando lê

a legenda:

“nos abismos a vida é submetida

ao frio, escuridão, pressão.

oito mil metros de profundidade”

uma montanha

ao contrário.

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