Sanguínea
A Alberto de Oliveira
Longe… vasto horizonte retalhado
De serras cor de um glauco-azul, distantes;
Brumas por cima, como véus flutuantes;
Perto… o fragor das músicas do prado.
O acre, o intenso bálsamo exalado
Da mata, onde andam Faunos, como dantes;
Rochedos ideias, e as espumantes
Águas do rio às cristas pendurado.
Um cheiro bom das cousas, que embriaga;
A luz que sobe, sobe, embebe, alaga
O azul enorme; a gárrula manhã,
Correndo a oiro e pérolas as nuvens…
Ora!… Deus plagiando um quadro a Rubens?!…
Quando isto vir, o que dirá Rembrandt?!