Quatro peças fáceis
I
O tempo sempre responde
a pergunta nunca feita.
Mesmo não se sabendo de onde
veio a resposta, ela é aceita,
pois que a pergunta em questão
não foi feita por ninguém.
Ignorá-la? Não é opção.
Reclamar? Como? Com quem?
II
Ser incompleto, é só, é ser.
O ser completo é só ter sido.
E mesmo assim o que se busca
é a sensação do concluído,
acreditando (por ingênua
superstição gramatical)
que o “in” de “incompleto” implica
que a completudo é o natural.
III
Tudo entender, nem tudo perdoar.
Sempre se pode perdoar mais tarde,
mas entender requer velocidade