Fim de verão I
Luz de final de tarde de um verão
que não quer acabar, como uma vida
a alongar-se além de toda razão
de viver, como rua, ou avenida,
que ultrapassa os limites da cidade
e vai seguindo, em meio a ferros-velhos
e terrenos baldios que o mato invade
e ninguém liga, ou como dois espelhos
emparelhados, refletindo mil
imagens sempre iguais, uma menor
que a anterior, de um espelho vazio –
final de tarde, uma agonia lenta
depois de mais um dia de calor
deste verão que já ninguém aguenta.
