● Hojesexta, 12 de junhover calendário →

Quando Marga amou Juan Ramón

Ó noite, ó sino de emboscada!

Rezou ao gume o dúbio peito

O céu pendeu do parapeito

O som bateu em retirada

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

Secou o riso nas tabernas

A praça rechaçou o sol

O sangue encheu o arrebol

O busto achou as suas pernas

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

A água coagulou na fonte

O choro veio sobre o bobo

O cervo veio sobre o lobo

E a dúvida pensou na ponte

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

A boca vomitou o beijo

A esfinge errou a adivinha

Rugiu o coração da pinha

A cor tremeu no azulejo

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

O pano enxotou o vento

Sangrou a pétala a papoila

O velho morreu de moçoila

Perdeu-se em dois um sentimento

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

Um astro disparou de um lábio

O sal cercou o alcaçuz

Urdiu-se um cristo em ponto cruz

O velho apodreceu de sábio

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando a Marga amou Juan Ramón

A luz correu prà sua foz

O gás asfixiou a aldeia

O invento perdeu a ideia

O ovo seduziu a noz

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

A pedra guardou seu segredo

Um grilo fez-se ao longo breu

Eremita, uma onda ardeu

O ferro confessou seu medo

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

A lágrima caiu do goivo

Fechou-se o punho da conquilha

Em dois se fez a triste ilha

Num féretro passou o noivo

Quando Marga amou Juan Ramón

Quando Marga amou Juan Ramón

Baliu a sarça o cordeiro

O mar despiu a sua espuma

Caiu do promontório o puma

A noite caiu num cinzeiro

Quando Marga amou Juan Ramón

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