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Opacidade

Estúpido outono

a tudo impondo sua ferrugem

como num velho armazém de ferragens

a artrose ganhando dobradiças

e as espirais

a parafusos zonzos.

E estas árvores são também

impossíveis: árvores

como furgonetas com seus toldos

esvoaçantes, rangendo

a grande dor da

mudança.

Estúpidas árvores: cada copa

um enleio de fios,

uma instalação eléctrica pública

de Calcutá, fundindo

o céu, seu

capote puindo.

Ou este outono é só

uma betoneira

regurgitando o seu betão zonzo.

Estúpido outono. E que erro

tomar os meus olhos

por um aterro!

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