● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Os frívolos

Temia estar no mundo

por isso está no mundo.

Um dorso de oiro em suas

mãos se gasta; uma gravata

custa um sobressalto.

A vida basta.

Sai do cinema como quem sai das nuvens

enxuga o corpo com palavras quentes

aluga uma conversa.

Verga-se apenas

para escovar os nervos

e os sapatos.

Espera paciente que a fábrica do mundo

lhe distribua livre o pão das férias

e lhe forneça os fa(c)tos.

Um homem destes pode antecipar a morte.

Ele é aquele que entra

e sai do tempo.

Que julga que medita

se mede os meses

e os meses são de graça.

Um homem destes pode morrer tão velho

como uma criança

e envelhecer tão cedo

que nem a morte o colha.

2

Torciam o nariz.

Falavam de um cheiro

persistente

incomodando a pompa

do sabor

os gases eficazes

que a boca tresandava.

Abanavam com a mão.

E no seu prato

a fruta era um corpo

de náusea,

eram as fezes

sofrendo metamorfoses.

Mostravam dentes firmes.

Mas nunca se sabia se sorriam.

Falavam, mastigavam, destruíam

com a boca a carne e o passeio.

E finalmente

sentados e s

eguros

fumavam ou dormiam.

i>Celui qui marche sur la terre à

la rencontre des grand Lieux d’herbe:

(...) Celui qui veille, en lieux

stériles, au sort des grandes lignes

télégraphiques... /i>

SAINT-JOHN PERSE

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