Aqui
Aqui o inferno mata as profissões
Que têm acesso ao ar.
Diz-se que deus se absteve
De criar servidores para os condenados
Ao tédio.
Morre-se no emprego
Com a garganta apertada por uma mão
Sem ossos.
Aqui os anos crescem pouco ou nada.
Os dias e dias secam na raiz.
Não há horas felizes.
O sol sempre se deu bem com gente como esta
Que salpica de chuva os seus pequenos
Afazeres
Para ficar em casa.
Gente com plenos poderes
Para desmanchar a festa que se alonga
Para lá da cabeça.
Diz um: eu sou o sábio de domingo.
Agora não me ocupo de dias úteis, de remendos d’alma,
De fragilidades.
Esperem por mim mas só depois
Da missa.
Diz outro: a ética é grega de nascença
