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Das artes do mundo escolho a de ver cometas

Herberto Helder

Das artes do mundo escolho a de ver cometas

A cair no meu tempo.

Longos bordados de luz: histéricos, por não serem mortais

Como o meu corpo,

Baptismais,

Por não serem mais cruéis que o meu ofício.

Eles devem repetir-se, explodir mais demoradamente

Nos meus olhos,

Na vista rebentada até ao caos.

Rastos de sangue, gigantes pensamentos de crianças breves,

Cargas tremendas de alegria pura.

Cometas

Eu quero-os a cair sobre o teu tejadilho a céu aberto

E em simultâneo

Em camas, templos, hospitais,

Como massas justas, como segredos virgens,

Derrames consagrados ao amor

Da primeira costela à última lágrima.

Como pingos de deus sobre

O meu nome.

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