● Hojesexta, 12 de junhover calendário →

Corpo pendular

Sobre o final da tarde

E o início da noite há uma ponte

Que o teu corpo atravessa

Como animal lento e pouco bíblico

Espreitando o domínio das casas acesas

Onde um sofá vermelho repousa

Ao lado de vagas mulheres

E esquecidas crianças

Depois o das outras

De persianas corridas

Como pálpebras desligadas

Em ruína esplendorosa

Contrastando com as muitas luzes

O reclamo de uma loja tardia

Devolve-te a noite que tomas inteira

Como uma cápsula

Que te arrumasse por dentro

Também tu como uma casa

Nem perigosa ou inquietante

Simplesmente frágil

O teu corpo recolhendo-se

Como do estendal a roupa já fria

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