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Um dia

Quando este nosso sol ardente de África

nos cobrir a todos com a benção do mesmo

calor,

quero ir contigo, amigo,

de mãos dadas, deslumbrados,

pelos trilhos abertos da nossa terra

estranha,

adubada com sangue e suor de séculos...

Nas machambas,

o ruído repercutido de tractor

soará como uma canção de triunfo.

Nas matas,

as tutas já não serão aves apenas

e no centro da vida,

nosso irmão negro, quebradas as grilhetas,

celebrará seu segundo nascimento

num batuque diferente de todos os outros...

Uma luz clara e doce se abrirá para todo

e nós iremos de mãos dadas, amigo,

pelos trilhos verdes de Moçambique.

Na noite,

não mais soluçarão, estertoradas,

canções marimbadas por irmãos

naufragados

(ô mamanô! Ô tatanô!),

Não mais a acusação muda dos olhos

precoces

de crianças de ventres empinados

não mais jaulas erguidas para os

inconformistas

gritando gritos de sangue

através de tudo!

Não mais, noite...

E nós iremos de mãos dadas,

amigo,

pelos trilhos abertos de Moçambique,

mergulhados no clarão eterno do dia

infindável.

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