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Abri a porta, companheiros

Ai abri-nos a porta,

abri-a depressa, companheiros,

que cá fora andam o medo, o frio, a fome,

e há cacimba, há escuridão e nevoeiro...

Somos um exército inteiro,

todo um exército numeroso,

a pedir-vos compreensão, companheiros!

E continua fechada a porta...

Nossas mãos negras inteiriçadas,

de talhe grosseiro

- nossas mãos de desenho rude e ansioso –

já cansam de tanto bater em vão..

Aí companheiros,

abandonai por momentos a mansidão

estagnada do vosso comodismo ordeiro

e vinde!

Ou então,

podeis atirar-nos também,

mesmo sem vos moverdes,

a chave mágica, que tanto cobiçamos...

Até com a humilhação do vosso desdém,

nós a aceitaremos.

O que importa

é não nos deixarem morrer

miseráveis e gelados,

aqui fora, no noite fria povoada de xipocués...

“O que importa

é que se abra a porta”.

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