IX
A voz também
muda de céu.
Os pássaros ultrapassam
quem os vê, os mais velozes.
É uma inovação de nosso sono.
Ausentes, somos como
a voz na afonia
ou a casa vazia
entre a música surda
e os estilhaços de vidro –
paredes nuas sem fé nem
nada senão os azulejos de faiança
em vez de carne –
desabitadas, mas
a relva é macia
na engrenagem das coxas, e mais
que o tempo e o espaço
separa-nos
a anomalia das joias mecânicas
até uma cama de ferro
em pleno campo
desativada
ou lá no céu
o vento gelado –
claramente agora
as paredes estão em pé
sua sombra prolonga
quem nelas pensa.