● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

IX

A voz também

muda de céu.

Os pássaros ultrapassam

quem os vê, os mais velozes.

É uma inovação de nosso sono.

Ausentes, somos como

a voz na afonia

ou a casa vazia

entre a música surda

e os estilhaços de vidro –

paredes nuas sem fé nem

nada senão os azulejos de faiança

em vez de carne –

desabitadas, mas

a relva é macia

na engrenagem das coxas, e mais

que o tempo e o espaço

separa-nos

a anomalia das joias mecânicas

até uma cama de ferro

em pleno campo

desativada

ou lá no céu

o vento gelado –

claramente agora

as paredes estão em pé

sua sombra prolonga

quem nelas pensa.

Textos relacionados