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Elegia de maio

Longo, lento, infindável o crepúsculo.

Na larga enseada uma tinta imprecisa

antes do lusco-fusco

insinua-se em tudo, esmaiada.

Corre um brusco arrepio de brisa,

encrespa-se de leve a água vidrada.

Difuso em tudo, o ouro da luz de outono

resiste, como a clara

recordação de um longo dia pára

e ainda hesita, antes da noite e o sono.

Escurecer que é quase amanhecer...

Um não sei quê de claridade escura

diluído em tudo, em tudo arde e perdura:

já é quase noite o longo dia

e a noite espera e sonha: ainda é dia.

Lá no alto, o adeus da tarde que ficou...

É dia ainda, o sol acorda agora

no largo oceano o sono de outra aurora,

mas derrama no seio do meu rio

todo o ouro do dia que passou.

Serena esta luz de ouro em meu outono:

recordação, antes do grande sono...

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