Manhã de estância
Manhã de estância, risadas de joão-de-barro,
a casa antiga escancarada aos quatro ventos,
janelas cheias de horizonte,
toda a frescura matinal no lábio doce como um fruto.
Manhã cedo — quero-queros, mugidos
para muito muito longe
e o largo abraço das figueiras bravas.
Canta mais claro um retinir de esporas.
Há matungos boflando, de focinho na terra.
As ovelhas são bolas de estopa.
Quanto alecrim roxeia a baixada!
O potrilho zaino relincha.
Em seu nitrido há um fogaréu sonoro
Como um toque de alvorada!
Parece que um arroio de luz me inunda os nervos,
meu assobio imita os bem-te-vis,
minha voz chama o sol.
Agora bóiam na cerração ilhota de coxilhas
peroladas de sereno.
Como a visão repousa horizontalizada!
Eu vi a luz nascer pela primeira vez no mundo.