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Vindima

Vamos colher as uvas molhadas pelo orvalho

e tapetar de folhas o ingênuo samburá.

Em cada cacho maduro há uma pupila.

Quem será que ensina a estas aranhas

a tecer o fio frágil do aranhol,

e movimenta à sombra escura da parreira

a dança loura do sol?

Vamos colher as uvas.

Vamos cortar os cachos de efêmero sabor.

As tuas mãos morenas são ágeis como aranhas

e têm carícias gulosas para os frutos.

Prova o sumo sanguíneo.

Tinge os teus lábios no sangue da videira.

No teu cabelo o sol floresce uma coroa.

mergulhando os braços na folhagem,

és uma árvore moça,

és uma vinha selvagem que oferece

cachos de beijos para a minha fome!

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