Conto de verão
A meio da tarde mas como se fosse fim
o papagaio em ziguezague puxado por cordas.
À varanda da infância a que voltei
acompanho os primos namorados irmãos
que correm na areia guiados pelo que
verticalmente decerto lhes parece o céu
mas visto daqui é tão-só o alto,
a vida natural ao vento violenta a vida
deles, dançam como âncora ou contrapeso
ao artefacto vermelho que lhes escapa
embora o tenham bem preso, sopra onde quer,
a maresia, constante e quase mansa
na folhagem, na bandeira, nas memórias.
O rapaz tem firme nas mãos
o terrível brinquedo, indo ao chão
como os pioneiros dos aeroplanos,
feliz na sua ciência, intrépido, determinado
na expressão que porém não alcanço,
tão miúdo que cai e se levanta
como se nada fosse, enquanto ela fica
