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A minha altura

Era a minha altura. Um livro

em cima da cabeça marcava

o lugar que um lápis semestralmente

riscava na parede da cozinha. A única sabedoria

dos ossos, crescerem

como a teia sólida de um propósito

e a anatomia mais transparente.

Centímetro e centímetro

espigava o corpo imaginário, essa contabilidade

que era assim íntima, pictórica,

como uma cena burguesa.

Traço a traço a parede da cozinha

tornou-se rupestre,

a infância uma ternura assustadora.

Esta era a minha altura.

Agora sou tão mais alto e mais pequeno.

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