Aos chorões
Chorões da praia de Belas,
molhando as folhas no rio,
sois pescadores de estrelas
ao crepúsculo tardio.
O mais velhinho, já torto
ao peso de tantas mágoas,
lembra um pensamento absorto
debruçado sobre as águas.
Salgueiros trêmulos, belos,
meus camaradas tão bons,
diz o poeta, violoncelos
onde o vento acorda sons,
sois, à beira da enseada,
um bando de poetas boêmios,
e fitais na água espelhada
vossos companheiros gêmeos...