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A paleta do poeta

Tortura do desenho! Horas a fio,

seguindo o risco ideal de um vivo traço

que está dentro de mim, faço e desfaço,

e sinto-o cada vez mais fugidio...

A cor e a luz! Encher de vida o espaço

nu da tela, retângulo vazio,

sol interior que o visionário viu

e o pincel torna cada vez mais baço...

Fecho os olhos; no escuro tumultua

todo um formigamento furta-cor:

arco-íris, aureolado astro violeta...

E tudo o que eu não pus na tela nua

vejo-o de novo em luz, em linha, em cor,

nas manchas coloridas da paleta!

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