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a língua geral

pra Sergio Maciel

de uma língua morta nasceu o

nome da tua república

que um século depois

eu chamo de país imberbe

e estranho com nome de rio

te repito

o passaporte carimbado

infinitas vezes

o mesmo brasão

como se entrasse

again and again num país

de onde nunca saí

volto a ti rio caudaloso com

a insolência dos que têm remos

teu nome já difuso entre a língua

crioula e a indizível a que traduzo

que engulo ou cuspo porque já

não posso

te engolir

volto a outro país que desconheço

ainda que compartilhemos

do mesmo gentílico mas

é outro teu trópico eu equador

tu capricórnio te viajo anotando

barroca e chocada tua flora tuas falésias

teus rasgos

já nem sei mais para quem é esse

poema se para ti ou a terra natal ou

para o exílio ou a maré

que me separa dos três

não consigo escrevê-lo

porque ainda

que tenha vivido muito

tenho lido pouco

e se fosse o contrário também

não escreveria aliás

qual é a medida

com quanto cuspe a escrita

lubrifica a vida ou seria

o contrário?

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