● Hojesexta, 12 de junhover calendário →

a língua

Quebro aqui, menino, este silêncio, que

dez burocráticos anos já dura, evitando até

esta noite memória vazia de doçura,

mas que agora só me impediria de falar

contigo. E já que és tão poeta e tão bonito,

reavivo do trauma e do algoz a língua

materna, não porque tenho algo a te dizer

mas porque a carne que lembra também

sofre de amnésia. Hoje eu quero desarticular

medo, tristeza e regra, afinar com o meu o

teu desejo, falar putaria na cama naquele

idioma que há muito abandonei, pois se a língua

do inimigo é a única que dominas que seja essa

minha vingança: treparei contigo em português.

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