● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Visão da morte

Olhos voltados para mim e abertos

Os braços brancos, os nervosos braços,

Vens d'espaços estranhos, dos espaços

Infinitos, intérminos, desertos...

Do teu perfil os tímidos, incertos

Traços indefinidos, vagos traços

Deixam, da luz nos ouros e nos aços,

Outra luz de que os céus ficam cobertos.

Deixam nos céus uma outra luz mortuária,

Uma outra luz de lívidos martírios,

De agonies, de mágoa funerária...

E causas febre e horror, frio, delírios,

Ó Noiva do Sepulcro, solitária,

Branca e sinistra no clarão dos círios!

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