● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Tu

Morrente chama esgalga,

mais morta inda no espírito!

Espírito de fidalga,

que vive dum bocejo entre dois galanteios

e de longe em longe uma chávena da treva bem forte!

Mulher mais longa

que os pasmos alucinados

das torres de São Bento!

Mulher feita de asfalto e de lamas de várzea,

toda insultos nos olhos,

toda convites nessa boca louca de rubores!

Costureirinha de São Paulo,

ítalo-franco-luso-brasílico-saxônica,

gosto dos teus ardores crepusculares,

crepusculares e por isso mais ardentes,

bandeirantemente!

Lady Macbeth feita de névoa fina,

pura neblina da manhã!

Mulher que és minha madrasta e minha irmã![68]

Trituração ascencional dos meus sentidos!

Risco de aeroplano entre Moji e Paris!

Pura neblina da manhã!

Gosto dos teus desejos de crime turco

e das tuas ambições retorcidas como roubos!

Amo-te de pesadelos taciturnos,

Materialização da Canaã do meu Poe!

Never more!

Emílio de Menezes insultou a memória do meu Poe...

Oh! Incendiária dos meus aléns sonoros!

tu és o meu gato preto!

Tu te esmagaste nas paredes do meu sonho!

este sonho medonho!...

E serás sempre, morrente chama esgalga,

meio fidalga, meio barregã,

as alucinações crucificantes

de todas as auroras de meu jardim!

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