● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Anhangabaú

Parques do Anhangabaú nos fogaréus da aurora...

Oh larguezas dos meus itinerários!...

Estátuas de bronze nu correndo eternamente,

num parado desdém pelas velocidades...

O carvalho votivo escondido nos orgulhos

do bicho de mármore parido no Salon...

Prurido de estesias perfumando em rosais

o esqueleto trêmulo do morcego...

Nada de poesia, nada de alegrias!...

E o contraste boçal do lavrador

que sem amor afia a foice...

Estes meus parques do Anhangabaú ou de Paris,

onde as tuas águas, onde as mágoas dos teus sapos?

“– Meu pai foi rei!

– Foi. – Não foi. – Foi. – Não foi.”

Onde as tuas bananeiras?

Onde o teu rio frio encanecido pelos nevoeiros,

contando histórias aos sacis?...

Meu querido palimpsesto sem valor!

Crônica em mau latim

cobrindo uma écloga que não seja de Virgílio!...

Textos relacionados