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Soneto à minha irmã (nascida morta)

No opaco silêncio estátuas virgens

de sal e luz tombaram, desmembradas,

no abismo das lúcidas origens

dormem nomes e formas olvidadas.

Dormem — não se levantam — primitivas

ideias puras no limbo fenecidas

pulcras estátuas virgens, mas cativas,

à luz total do ser não prometidas.

Na memória elas pesam como puro

tormento, arremessadas neste escuro

poço das coisas frustras, não nascidas:

assim vives em mim, irmã, singela

pulsas em mim como a visão mais bela

entre rosas sepultas e queridas.

26–2–1962

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