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Sete poemas do pássaro

i

O pássaro é definitivo

por isso não o procuremos:

ele nos elegerá.

ii

Se for esta a hora do pássaro

abre-te e saberás

o instante eterno.

iii

Nunca será mais a mesma

nossa atmosfera

pois sustentamos o voo

que nos sustenta.

iv

O pássaro é lúcido

e nos retalha.

Sangramos. Nunca haverá

cicatrização possível

para este rumo.

v

Este pássaro é reto:

arquiteta o real e é o real mesmo.

vi

Nunca saberemos

tanta pureza:

pássaro devorando-nos

enquanto o cantamos.

vii

Na luz do voo profundo

existiremos neste pássaro:

ele nos vive.

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