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Quase uma sonata

É música o rigor com que te moves

à fluida superfície do mistério,

os pés quase suspensos, a aérea

partitura do corpo, seus acordes.

Espaço e tempo são teu solo. E colhem,

não tanto a luz que entornas, mas o pólen

com que ela cinge e arroja as coisas mortas

além da espessa morte que as enrola.

E música o silêncio que te cobre

quando lampeja à noite tua nudez,

em franjas derramada sobre o leito

das águas, onde as algas te incendeiam

porque semelhas, mais que o mar profundo,

o intemporal princípio e fim de tudo.

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