O mel dos Himalaias
a tarde quente
e rodeada de cordilheiras fundas
de águias aos círculos a vigiarem dos deuses
a morada
no terraço de um restaurante crudívoro
entre Sol e ruína
falto de fuminhos e estrugidos
engoli sumos grossos de fruta
esgotado das complicadas especiarias do amor
e farto da Índia que vira e não vira
um corvo
veio pousar no muro
tão mais rápido que a foto que não pude
queimou contudo o negativo
da memória que este poema revela e fixa
com o suor da viagem
aqui está — vê‑lo? — mofando
do infortúnio
aqui estou
sentado à mesa de ferro gasto
pelo sucessivo antojo do prodígio suspenso
com os dedos obscuros tocando o copo
