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Ó deâmbula alma inquieta

Animula vagula, blandula,

Hospes comesque corporis (...)

Publius Aelius Hadrianus

Ó deâmbula alma inquieta,

por que te moves às cegas

nesse ermo que se enovela

entre o que és e o que pareces?

Por que te pões tão secreta,

se debaixo de teus véus

todos logo te percebem

nos mil papéis que interpretas?

Por que temes, alma inquieta,

esse dia em que, perplexa,

souberes que não te hospedam

o paraíso ou o inferno?

Não te basta o que é terrestre

e se dá à flor da pele?

Por que buscas o mistério

no abismo que desconheces?

É por angústia que o anelas

ou só por gula das trevas

que, profundas, te apetecem

como as carcaças ao verme?

É pela luz que, feérica,

confias ver entre as vértebras

da solidão que te cerca

desde que ao mundo vieste?

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