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Não falo de palavras, nem de goivos

Não falo de palavras, nem de goivos,

mas de horas atadas ao pescoço.

Poema verdadeiro é sermos noivos:

saber tirar a pele e o caroço

ao grito entre a morte e outra morte

que nos mantenha lassos e despertos

até que venha o talhe que nos corte

e nos retire os poços e desertos.

Por isso, meu amor, o que te dou,

beijo beijado em corpo claro e vivo,

é mais que o verso que te dizem, ou

aliterante, agudo ou conjuntivo.

Colado a tudo, mesmo a contragosto,

o rio inventa o verso, e não assim

como se ao espelho visse o próprio rosto,

mas tu além-palavra, ao pé de mim.

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