● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

el desierto

continuamos a conduzir a comer a falar

avançamos no escuro

folhagem dentro

desabou mais um homem

um cartão que ruiu

paramos um instante

olhamos de lado

seguimos adiante

com a mão no volante

cantilena mental

avançamos entre o verde

na espessura da noite

um rapaz tresmalhado regressa a Beirute

vindo dos massacres

sacode o olhar

a cidade continua

a poeira é a mesma

dança e bebe no interior da guerra

estamos todos em guerra mesmo sem guerra

à medida que uns tombam

vacilamos e seguimos

ajeitamos a mortalha contra a brisa nocturna

persistimos na frente

repisamos a dança

o caminho não espera

o tempo decresce

em Beirute ou Little Indian todos vão cair

antes de nascer já estamos em guerra

por vezes uma pausa

e logo prosseguimos

mais um comprimido contra o medo

é certo que vamos cair

trituramos legumes

na sopa bóiam dedos

instalados para a morte soletramos a guerra

avançamos na folhagem

avançamos no medo

caminhamos seguros

maceramos fragmentos

escrevemos amamos

tingidos por dentro

as ogivas na praia

as ruas-estilhaços

a cabeça no deserto

as mãos a descoberto

toda repetición es una ofensa

y toda supresión es un olvido

quantas vezes morremos até descansar?

Textos relacionados