● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

deste lado da morte ninguém responde

fazia nós no outono. o eco genital de Deus a abrir avessos. um

sangue muito branco falava na água da pele. é aqui o meu corpo,

perguntei, mas deste lado da morte ninguém respondia.

árvores todas caíam os braços. o deserto escorria no lugar da pele.

um lençol cheio de silêncio respondia pelo mundo. é aqui o meu corpo,

perguntei, mas deste lado da morte ninguém respondeu.

o dia não sabia se existia. uma canção de barco abria feridas no

tempo. as janelas diziam dezembro, dezembro, e a primavera tinha sido

ontem por fora. é aqui o meu corpo, perguntei, mas deste lado da morte

ninguém responde.

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