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Bairro dormitório

Viemos dormir algumas horas

chegamos com malas de plástico repletas de tranqueiras

e a cabeça repleta de cerveja

zonzos, rimos e trombamos

não se assuste: os perigosos vão de carro

por quatro horas rolaremos nos beliches empilhados

quartos quentes como fornos, nem há como tomar banho

uns disfarçam na torneira e um pouco d’água nos sovacos

enquanto fumam seus cigarros

mas isso não é regra

nos ônibus nós dormimos de manhã

e cheiramos mesmo a álcool e suor: os nossos sonhos

acertam os cidadãos nos ombros ou as janelas ensebadas

onde a luz baça e preguiçosa da manhã nos fere os olhos de amarelo

mas temos braços fortes e boas pernas

pra juntar a bugiganga que o meganha quer garfar

e sebo nas canelas.

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