Ação de graças pelo desconhecido
Obrigado, Santa Rita, padroeira
dos que passam a vida
de quatro, pela graça desse menino,
mineiro de naturalidade, não
de profissão.
Ele existe, inteiriço, completo,
dorminhoco a meu lado,
enquanto o ônibus sacoleja
pela Serra do Espinhaço,
entre Curvelo e Diamantina.
Fruto do mistério violento
desse liquidificador de sangues,
ele é um triângulo de bermudas.
E aqui, com a cabeça quase a pender
sobre meu ombro, feito um dono
do mundo, ele cabeceia
no sono o nada.
Quem terão sido os dezesseis
trisavós e trinta e dois
tataravós desse campeão,
desse vencedor contra a sub
-nutrição de tantas e tamanhas
gerações raquíticas?
Quais finaram de doenças estrangeiras,
quais comeram terra no banzo,
quais mataram-se
no banalíssimo desespero quotidiano?
De quais guerras e epidemias
escaparam, ilesos