● Hojedomingo, 28 de junhover calendário →

Vidência

Se os nossos olhos te enxergassem, rosa,

E não só: “É uma rosa” nos dissessem

Na vulgar gradação que nunca esquecem,

Que epifania na manhã tediosa!

Se eles vissem, ao vê-la, cada coisa

E não seu nome, se afinal pudessem

Fugir da furna abstrata onde destecem

A vida, um morto partiria a lousa

Maciça de aqui estar. Flor, nuvem, muro,

Árvore, que é uma só e não tal nome,

Se tudo entrasse o corredor escuro

Que há em nós, algo de exato se ergueria,

Algo que pára o tempo ou que o consome,

Que alveja a noite e entenebrece o dia.

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