penúltimo poema
adeus, bolsos repletos
de sinos, apitos, quinquilharias
cemitério de pequenos animais
abandonados no campo, adeus
sementes da árvore do paraíso
esquecidas no fundo da jaqueta
plantadas num quintal imaginário
fora dos muros da cidade
adeus, asas de gaivota, barcos
de veludo, canais de venezas portáteis
que viajam comigo como se fossem
malas encharcadas de lama, adeus
janelas, windows, Fenster, finestras
debruçadas sobre o mar escuro
das palavras que passam ao largo
lotadas de framboesas e azeitonas
adeus, línguas, cheiros, idiomas —
aqui eu me despeço de suas vozes