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Orquídeas

Orquídeas

resplandecem

no quintal

a geometria

de fogo

de suas pétalas

e a forma

do silêncio

em que se apóiam

trago

o coração perdido

e os olhos tersos

da breve epifania

toda flor

desponta

no seio do silêncio

e ao seio

do silêncio

acorre e se dissolve

lembro

de Hardy

indo ao

fundo

silêncio

dos gregos

teoremas

i>cheios

do frescor e da beleza

de quando foram descobertos/i>

dois mil anos

e sequer

uma ruga

em seu puro semblante

(Euclides

e a infinidade

dos números primos

Pitágoras

e a raiz quadrada

irracional de dois)

i>os desenhos

do matemático

e do poeta devem

ser belos/i>

flores

teoremas

desmaiam

em súbitos

jardins

orquídeas

e bromélias

florescem

em crepúsculos

fugazes

i>- a beleza é a primeira prova

da matemática/i>

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