● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Foi ja n'hum tempo doce cousa amar,

Foi ja n'hum tempo doce cousa amar,

Em quanto me enganou huma esperança:

O coração com esta confiança

Todo se desfazia em desejar.

Oh vão, caduco e debil esperar!

Como, em fim, desengana huma mudança!

Que quanto he mor a bem-aventurança,

Tanto menos se crê que ha de durar.

Quem ja se vio com gostos prosperado,

Vendo-se brevemente em pena tanta,

Razão tẽe de viver bem magoado.

Mas quem ja tẽe o mundo exprimentado,

Não o magôa a pena, nem o espanta;

Que mal se estranhára o costumado.

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