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E assim em Nínive

“Sim, sou um poeta e sobre a minha tumba

Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas

E os homens, mirto, antes que a noite

Degole o dia com a espada escura.

“Vê! Não cabe a mim

Nem a ti objetar,

Pois o costume é antigo

E aqui em Nínive já observei

Mais de um cantor passar e ir habitar

O horto sombrio onde ninguém perturba

Seu sono ou canto.

E mais de um cantou suas canções

Com mais arte e mais alma do que eu;

E mais de um agora sobrepassa

Com seu laurel de flores

Minha beleza combalida pelas ondas,

Mas eu sou um poeta e sobre a minha tumba

Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas

Antes que a noite mate a luz

Com sua espada azul.

“Não é, Raana, que eu soe mais alto

Ou mais doce que os outros. É que eu

Sou um Poeta, e bebo vida

Como os homens menores bebem vinho.”

Tradução de Augusto de Campos · original em inglês

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