Do campo
Ao passo dos ladrões noturnos
opõem a invasão das grandes vagas de febre.
Ao choque das barcas contra o cais,
o sobressalto de um longínquo toque de corneta.
À tíbia luz do meio-dia que levanta o bafo nos pátios,
o grito sonoro das aves que se debatem nas gaiolas.
À sombra acolhedora dos cafezais,
o murmúrio dos anzóis no fundo do rio turbulento.
Nada altera a serena batalha dos elementos
enquanto o tempo devora a carne dos homens
e os acerca, miseravelmente, da morte, como a inebriados
. animais.
Se o rio cresce e arranca as árvores
e as carrega majestosamente no seu dorso,
se no trapiche o foguista copula com a mulher
enquanto o mel borbulha como um ouro vegetal e magnífico,
se com uma grande algazarra podem os mineiros
barrar a corrida do vento,
se estas e tantas outras coisas sucedem por sobre as palavras,
por sobre a pobre pele que recobre o poema,
se toda uma vida pode sustentar-se sobre tão vagos elementos,
que afã nos move a dizê-lo, a gritá-lo de forma tão inútil?
Onde está o segredo desta luta estéril
que nos exaure e leva mensamente à tumba?