● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Asa de corvo

Asa de corvos carniceiros, asa

De mau agouro que, nos doze meses,

Cobre às vezes o espaço e cobre às vezes

O telhado de nossa própria casa...

Perseguido por todos os reveses,

É meu destino viver junto a essa asa,

Como a cinza que vive junto à brasa,

Como os Goncourts, como os irmãos siameses!

É com essa asa que eu faço este soneto

E a indústria humana faz o pano preto

Que as famílias de luto martiriza...

É ainda com essa asa extraordinária

Que a Morte — a costureira funerária —

Cose para o homem a última camisa!

Textos relacionados