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Amargos como os frutos

Amado, por que voltas

com a morte nos olhos

e sem sandálias

como se um outro te habitasse

num tempo

para além

do tempo todo

Amado, onde perdeste tua língua de metal

a dos sinais e do provérbio

com o meu nome inscrito

Onde deixaste a tua voz

macia de capim e veludo

semeada de estrelas

Amado, meu amado,

o que regressou de ti

é a tua sombra

dividida ao meio

é um antes de ti

as falas amargas

como os frutos.

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