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A génese do amor

Talvez um intervalo cósmico

a povoar, sem querer, a vida:

talvez quasar que a inundou de luz,

retransformou em matéria tão densa

que a cindiu,

a reteve, suspensa,

pelo espaço –

Eram formas cadentes

como estas:

Imagens como abóbadas de céu,

de espanto igual ao espanto em que nasceram

as primeiras perguntas sobre os deuses,

o zero, o universo,

a solidez da terra, redonda e luminosa,

esperando Adamastores que a domestiquem,

ou fogos-fátuos incendiando olhares,

ou marinheiros cegos, ávidos de luz,

da linha que, em compasso,

divide céu e

mar

Quasar é pouco, porque a palavra rasa

o que a pele descobriu. E a pele

também não chega:

pequeno meteoro em implosão

Estátua em lume, talvez,

à espera, a paz (ainda que haja ausente

crença ou fé), e, profano, o desenho

desses estranhos bichos,

semi-monges, malditos,

deslumbrados,

e uma visão, talvez,

na penumbra serena de algum

claustro

Talvez assim tivesse algum

sentido

a génese do amor

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