● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

A cidade esquecida

Ela disse: Sou uma cidade esquecida.

Ele disse: Sou um rio.

Ficaram em silêncio à janela

cada um à sua janela

olhando a sua cidade, o seu rio.

Ela disse: Não sou exactamente uma cidade.

Uma cidade é diferente de uma cidade

esquecida.

Ele disse: Sou um rio exacto.

Agora na varanda

cada um na sua varanda

pedindo: Um pouco de ar entre nós.

Ela disse: Escrevo palavras nos muros que pensam em ti.

Ele disse: Eu corro.

De telefone preso entre o rosto e o ombro

para que ao menos se libertassem as mãos

cada um com as suas mãos libertas.

Ela temeu o adeus, disse: Sou uma cidade esquecida.

Ele riu.

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